Mudança radical de cenário na minha trip pela Austrália. Saí da agitada costa leste e fui parar no meio do deserto. Vou contar como foi a minha experiência no vermelho, quente e seco Outback australiano.

O Outback fica localizado no coração da Austrália, no estado do Território do Norte. É chamado de Centro Vermelho e melhor nome não teria pra representar a cor do solo e das montanhas que contrastam com o azul do céu no plano de fundo. É uma das paisagens mais antigas do mundo, formada a cerca de 800 milhões de anos. A região do Outback foi habitada pelos aborígines há mais de 30 anos e ainda é uma área sagrada para o seu povo. É lá que fica um dos mais famosos, se não o mais, símbolo da Austrália: a grande pedra vermelha, o Uluru.
Peguei um avião de Cairns na manhã do dia 19 e desembarquei na cidade de Alice Springs depois de pouco mais de duas horas de vôo. Alice Springs é a principal cidade do Outback. A cidade surgiu a partir da construção de um posto de telégrafo construído em 1870 para facilitar a comunicação no deserto. Em 1929 a ferrovia chegou e em 1940, as estradas. Os turistas começaram a descobrir o Outback a partir dos anos 70, quando Alice Springs finalmente se desenvolveu. Hoje é uma cidade moderna e ponto de partida pros passeios no deserto. Não tem muito o que fazer em Alice Springs, além de pechinchar pinturas aborígines dos próprios artistas que trabalham no chão do centro da cidade. Infelizmente ví muitas vezes grupos de aborígines quebrando o encanto da sua cultura bêbados pelas ruas dando muito trabalho.Foram três dias de excursão percorrendo de ônibus o deserto plano e árido praticamente com a mesma vista km após km. Durante o passeio pegamos calor de 39° C e sensação de 39° X 39°, sufocante. O clima era tão seco que o nariz chegava a sangrar. Acampamos as duas noites debaixo das estrelas, dormindo dentro de sacos de dormir sem barraca, no chão mesmo, junto com lagarto, escorpião e sabe lá que o que mais. Na segunda noite armei minha cama em cima do trailer das bagagens pra evitar as formigas de fazerem festa em quem gosta de uma reação alérgica. A criaturinha que ganhou o prêmio miss irritante do deserto foi a mosca. Era um zum-zum-zum sem pausa, mosca no olho, dentro do nariz, na boca. Eu mesma engoli três. Atrevidas!
A principal atração do Outback é o Uluru-Kata Tjuta National Park, um parque nacional que abriga a famosa pedra vermelha Uluru e o conjunto de 36 rochas que levam o nome de Olgas. O Uluru é uma das maravilhas naturais do planeta, o maior monolito do mundo. Cada dia centenas de turistas assistem a pedra ganhar uma cor vermelho-vivo durante o nascer e o pôr-do-sol. Nosso grupo também estava lá de prontidão pra registrar os segundos. Momentos lindos!Fizemos uma caminhada pela base da pedra que parece nunca ter fim com seus 9.4km de percurso. Também exploramos as Olgas, ou Kata Tjuta, e seus vales durante um passeio absurdamente quente de três horas. No Outback ainda andamos de camelo – um bicho desengonçado, visitamos o Centro Cultural Aborígine que exibe a filosofia de vida de seu povo, e conhecemos o Kings Canyon em uma caminhada de 6km beirando um alto desfiladeiro.
Com vocês, o coração da Austrália:

Ganha um pirulito quem descobrir o que tem de errado com a placa do canguru... Pensa na minha indignação!Kata Tjuta




Kings Canyon

Aqui foi gravada uma cena do filme Priscilla, a Rainha do Deserto.
Camelando
Por último e tão emocionante quanto às duas primeiras partes foi o jantar e a apresentação de dança no palco do restaurante. Voltamos pro ambiente interno e logo achei a minha mesa solitária com uma cadeira entre as mesas compridas dos grupos grandes. Sentei-me feliz e com fome na minha mesinha e comí a minha melhor refeição desde que saí de casa em junho. Passados a sopa, salada, prato quente e sobremesa, os aborígines fizeram uma apresentação de dança típica por cerca de meia hora. No final da noite, voluntários foram chamados pra participar da bagunça e eu, cidona, fui parar no palco. Dancei com os aborígines e ajudei a acender fogo. Pensa que engraçado! Pela minha participação ganhei um bumerangue autografado pelos artistas da tribo. Foi uma noite muito marcante!
Aborígines – Os aborígines são a população nativa da Austrália, os índios australianos. Eles foram os primeiros a habitar o continente há cerca de 50 mil anos atrás. Quando os colonizadores ingleses chegaram no país em torno de 1770 existiam mais de 300 mil aborígines. Hoje, após serem massacrados e expulsos das terras produtivas pelo homem branco, eles beiram a extinção e representam apenas 1% da população australiana, cerca de 200 mil. Triste!
Cape Tribulation é outra ilha que conheci. Cape Trib fica a 1h30min de Cairns e é um dos poucos locais onde a floresta tropical alcança a borda do mar. Os principais passeios por lá se baseiam em caminhadas pela floresta e banhos de rio. É um bom lugar pra ver crocodilos de água salgada e é também excelente ponto de partida pra Grande Barreira de Corais, pela proximidade com a Barreira e pela distância da civilização.


De Cape fiz ainda mais uma ida à Grande Barreira, o que foi demais de especial. Desta vez a água estava ainda mais clara e os corais mais coloridos! Vi alguns nemos e de novo tive a sorte de nadar com uma tartaruga lado a lado! Foi uma sensação de paz incrível. Imagens guardadas no coração. 





A Grande Barreira de Corais é o maior sistema de recifes do mundo, estende-se por 2.300 km na costa nordeste da Austrália e ocupa uma área de 300 mil km². É uma das mais antigas formas de vida, com pelo menos 500 milhões de anos, e pode ser vista do espaço. Mais de 2.000 espécies de peixes e corais habitam as mais de 2.000 ilhas que compõe a Barreira.

Fiz o passeio com outras 17 pessoas e mais três tripulantes. Saímos de Airlie Beach na tarde do dia 10 e retornamos na tarde do dia 12. Foram dois dias super relaxantes por Whitsundays, conjunto de ilhas da Grande Barreira de Corais. Ou se nadava ou se tomava sol no deck do barco. Êhh vidão! A comida a bordo por sinal era de lamber os beiços, também outra boa alegria do passeio.
No segundo dia, porém, passei por um momento frustrante. Não conseguí respirar na m*rda do tubo de oxigênio de mergulho. Entrei em pânico e não dei conta de brincar de respirar embaixo da água. Voltei chorando pro barco e o jeito foi nadar só de snorkel mesmo. O que não foi nem um pouco ruim, a maré estava baixa e os corais estavam a um metro da superfície.

Nadei com tartaruga, aquela zen do filme Nemo, e com peixes bonitos, diferentes e coloridos. Vi golfinhos de cima do barco e o que poderia ser um tubarão. Teve gente do meu barco que diz ter visto um quando estava nadando. Sou grata por ter visto bem de longe. Quanto à cor dos corais, não vou mentir e dizer que era uma caixa de lápis de cor, mas ainda era lindo de ver. Ouvi dizer que as ilhas da Grande Barreira que ficam mais ao norte são mais chamativas aos olhos. Quem sabe eu tenha a chance de mais uma tentativa de mergulho por lá. Dessa vez sem pânico, Juliana!
Sem dúvida Whitsundays ficou entre os melhores passeios da minha viagem. Dias pra sempre na memória.

