quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Curtas da semana

Esta semana Sidney registrou o dia mais frio de Outubro dos últimos 30 anos. Ontem (22/10), a temperatura máxima foi de 14,3°C (segundo sites de notícias australianos), sendo que a média para este mês é de 22°C. Além do clima gelado, chuva e vento também têm dado o ar da graça e feito gente passar vergonha com guarda-chuva do avesso em plena primavera. Eu mesma ando perdendo de 10 a 0 pra ventania, uma cena e tanto. Agora é esperar o sol voltar pra aquecer outra vez minha viagem por aqui.

Além da informação meteorológica de hoje, trago também um comentário que pode matar a curiosidade dos apreciadores da culinária exótica. Eu experimentei carne de canguru! Ao contrário do que imaginava, sentí o mesmo remorso que comer uma suculenta picanha, ou seja, nenhum. A carne é macia e o sabor lembra carne de vaca, porém é mais forte e adocicado. Não vejo a hora de saborear o próximo prato típico da região. Será que coala também vai pra panela?!

domingo, 19 de outubro de 2008

Rala Juliana

Vim contar a última boa nova: estou trabalhando! Comecei como garçonete em um restaurante libanês neste fim de semana e posso dizer que a experiência está sendo um mix de sentimentos. Em primeiro lugar, trabalhar não estava previsto na minha viagem pela Austrália, mas como estou aqui de bobeira mesmo, um “faz-me-rir” a mais na carteira será bem-vindo. Levei alguns “nãos” de outros lugares onde pedí por emprego, fiz um teste sem sucesso em um café, até que fui aceita na equipe da minha nova e não-muito-querida chefe libanesa.

No restaurante, usando um uniforme vermelho-escuro e um sapatinho de boneca horroroso (do estilo que só as minhas amigas sabem como eu não simpatizo), limpo, seco, varro, ponho a mesa, tiro a mesa e durante as nove horas de serviço de pé penso “que droga, não preciso disto, mas que se dane, vou fazer um dinheirinho e me divertir como puder”. Seria estressante se não fosse cômico ouvir aquela libanesada brigando em meio à fumaça, louça suja e galinha frita na cozinha ou ser chamada atenção com um alto “yala Juliana” no meio do restaurante. Que engraçado, eu me divirto.

Por ora, pretendo continuar com este bico por mais alguns fins-de-semana. Qualquer mudança de planos, seja por encontrar outra fonte de salário melhor ou por não agüentar mais aquele cenário de novela “O Clone”, vocês saberão. Que o melhor aconteça. Insha'Allah!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Carta da Margarida

Meu blog anda mais parado que água foco de dengue, eu sei. Tem leitor fiel achando que fui atacada por coalas assassinos ou que resolví abandonar tudo e viver de hippie descalço na praia. Por enquanto, nem um nem outro. Pra variar estou sem a bendita internet e, pelo visto, o sinal do vizinho não deve voltar. Até que eu não penetre em outra sociedade de internautas clandestinos, minhas aparições por aqui serão igual visita de médico, curtas e sem previsão de retorno.

Continuo em Sidney e continuo sem data pra deixar este lugar. Tenho perambulado centro adentro entre shoppings, cinemas e praças de alimentação, e também cidade afora, tomando cerveja gelada na beira da praia do jeito que o diabo gosta. Como meu joelho não é de ferro e nem o meu bolso um buraco sem fim, tenho freqüentado uma academia e procurado um bico pra fazer um dinheiro enquanto fico por aqui.

Este fim de semana fui ao Cirque du Soleil, outro espetáculo que estava na minha lista de “não voltar para o Brasil sem ir ou fazer”. O circo reúne o melhor da capacidade elástica e equilibrista humana, um show de arte corporal. Circo nota dez. Até o palhaço deles faz a platéia rir. Raro!

Pra terminar a postagem de hoje com mais cor, deixo fotos de um passeio pelo South Head Point, a tranqüila área sul da cidade. Até a próxima! Saudades.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sem idéia para título

Desde que terminei minha peregrinação pela Europa andava passando longe de museus e qualquer outro tipo de passeio com muita informação. Que me julguem os mais cultos, mas minha mente já dava sinais de leseira só de pensar em processar arte e história. Como foi bom chegar aqui e correr pra onde fosse verde e cheirasse cocô de bicho. Perdão pela indelicadeza.

Então hoje, depois de uma semana só na boa, voltei a procurar um programa cult. Fui pela manhã ao Australian Museum, o maior museu de história natural da Austrália. Além de uma exposição sobre arte aborígene e seus místicos significados, os fósseis de dinossauros tomando conta do salão foram outra grande atração.

Antes de partir pra próxima parada do dia, fui conhecer a Sant Mary´s Cathedral e já fiquei pra minha primeira missa na Austrália. A Paz de Cristo.

Meia hora de ferry boat da Grande Sidney e às 3 horas da tarde cheguei em Manly, a principal área de lazer do norte da cidade. Só tive tempo de explorar o distrito por uma hora, mas foi o suficiente pra confirmar a fama. Praia, bares, lojas e um calçadão animado me deixaram com vontade de voltar a Manly pra pelo menos um dia inteiro.

Abaixo, pose pra foto no North Head Point, também em Manly.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Tudo Azul

Depois de dias a céu nublado, hoje fez uma terça-feira linda em Sidney! A foto de cima foi tirada da ponte de Darling Harbour pela manhã. Acordei saltitante com o sol na janela e com a programação do dia pronta na cabeça. Pisei na rua antes das oito horas com a intenção de estar cedo no Taroonga Zoo, mas por sérios problemas particulares de senso de direção, só 2 horas e meia depois cheguei ao zoológico.

Enfim, na fila pra comprar o ingresso, depois de caminhar vários quarteirões, pegar trem e ferry boat, fui salva de pagar AU$39,00 por mais uma santa alma que cruzou o meu caminho. Entrei de graça com uma mãe e seus dois filhotes com um passe que ela tinha para quatro entradas. Ainda existe gente boa neste mundo. E pensando pelo meu bolso, até que não foi tão mal errar o sentido do caminho. E mais... A mãe me ofereceu casa pra ficar em Canberra se algum dia eu aparecer por lá. É mole?! Eita guria de sorte essa.

O Taroonga Zoo valeu a pena não só pelos cangurus e coalas bebês pendurados nas suas respectivas mamães, pelo cheiro de elefante, pelos shows e etc, mas muito pela visão panorâmica de Sidney que o zoológico tem. Olha o privilégio da paisagem durante o show dos pássaros:

Depois de tomar meu rumo de volta pro centro e depois de algumas comprinhas baratas, fui ao cinema IMAX assistir um filme em 3D. Segundo a propaganda deles, é lá que fica a maior tela de cinema do mundo. É oval e grande, mas tenho minhas dúvidas. O vídeo em 3D é o maior barato, e os óculos então, um charme! Mente quem diz não ter vontade de pegar tudo que parece chegar pertinho e não proteger o rosto pra não ganhar uma espirrada d'água.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Caçando com gato

Em dia de chuva, todo improviso é vantagem. O tempo feio ainda não foi embora de Sidney e a tentativa de um piquinique esta tarde no parque foi por água abaixo. Como nunca nem tudo está perdido, a comilança aconteceu na sala de casa mesmo e com direito a toalha florida no chão pra não perder todo o encanto.

Comigo na foto, os anfitriões que tanto me fazem sentir em casa. Grande abraço pro trio! E, aproveitando a melação, outro alô pro amigo Edson Paes, que foi quem fez o meio de campo dessa nova amizade.

domingo, 5 de outubro de 2008

Chega de chuva

O relatório de hoje é curto como foi meu domingo.

Já acordei com uma hora do dia a menos porque o horário de verão começou esta madrugada por aqui. Isto significa que a partir de agora ganho mais uma hora de sol pra aproveitar a temporada na Austrália.

Bom, esta horinha hoje valeu tanto quanto ganhar uma nota de papel do banco imobiliário, porque o tempo continua feio em Sidney. Iria acampar neste fim de semana, mas a chuva melou o passeio. Quem sabe uma outra oportunidade. Não tenho feito visitas a pontos turísticos por estes dias porque prefiro esperar o calor voltar. Acho que vou começar a fazer a dança do sol, quem sabe o astro rei resolve aparecer.

sábado, 4 de outubro de 2008

“Oh chuva, eu quero que caia devagar”

Mesmo de baixo de chuva esta cidade continua alegre! O dia em Sidney amanheceu molhado e fresco, mas nada que impedisse os turistas de trocarem os chapéus por sombrinhas e saírem rua a fora explorando a cidade. Eu também fiz o mesmo e fui conhecer o Chinese Garden, o jardim chinês de Sidney. Sou suspeita pra opinar sobre locais que lembram Cingapura, mas o lugar é um refúgio lindo e tranquilo no meio da muvuca do centro da cidade. Tomei um chá de jasmin pra entrar no clima do passeio e curtí a paz do ambiente enquanto caminhava pelos caminhos cheios de significados.

Almocei no famoso Fish Market, um mercado de frutos do mar que também acomoda uma praça de alimentação disputadíssima nos dias de sábado (como hoje).

A minha tarde foi preguiçosa. Passei a filme e chocolate na casa onde estou hospedada. Já a noite foi mais agitada, fui a alguns bares da cidade conhecer a vida noturna da city. Aqui não falta opção pra cair na noite! Ah se minha cidadezinha tivesse um quinto disto tudo...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dia de sol

Esqueci de comentar que ontem a noite caí na festa aqui em Sidney, fui parar em uma boate de salsa. Essa dança é febre por aqui, o pessoal chega a fazer aula pra riscar o salão quando sai pra dançar. É animadíssimo!

Com essa animação toda não acordei muito cedo hoje, mas no fim da manhã fui conhecer o Chinatown, o bairro asiático onde você encontra comida barata e todas as outras mercadorias existentes na cidade a preço de banana. Dei uma geral pelas redondezas e planejei voltar outro dia pras minhas compras "made in china".

Hoje ainda dei meu primeiro mergulho no Oceano Pacífico. Estou batizada! Fui à Coogee Beach com amigos brasileiros, que por sinal fazem um bom barulho por aqui. A comunidade brazuca é grande em Sidney, tem que cuidar com os comentários maldosos nas ruas senão é capaz de levar tapa na orelha. Abaixo, um pedaço de Coogee Beach vista de um dos vários cafés que beiram a praia.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cartões-postais de Sidney

Pulei cedo da cama hoje pra passar o dia entre as áreas de Rocks e Circular Quay, onde ficam as duas principais “estrelas” de Sidney: a Opera House e a Sydney Harbour Bridge. No caminho pra primeira atração, um calçadão daqueles que turista adora: sorvete, lojinhas e artistas de rua. Olha eu atrapalhando o som dos aborígenes aí:

Ficar de frente pra Opera House foi ver meu sonho em “carne e osso”. O sentimento de conquista fez arrepiar. Depois de tantos anos com aquela imagem na cabeça, finalmente fiz parte do cenário. Falar assim parece mais dramático que novela mexicana, mas não tem sensação igual a conseguir realizar o que se muito planejou. O suspiro é tão fundo que não cabe no peito!

A Opera House é uma casa de apresentações cênicas, de dança e música que deve sua fama principalmente pelo formato único da construção. Não precisa ser bom entendedor de arquitetura pra imaginar a aventura que foi construir um prédio assim, em curvas e todo recortado. No total, a casa abriga cinco teatros, sendo dois deles bem grandes e reservados pra eventos top de linha. Dá pra assistir uma peça ou um show por AU$39,00 ou pagar mais que AU$200,00 por um bom lugar numa boa apresentação. Eu fiz o passeio guiado por dentro da Opera House e conheci as estruturas de cada concha da casa. É impressionante como todos os detalhes são pensados pra dar o melhor da visão e do som pros espectadores. O tipo de madeira, o formato da poltrona, iluminação, um espetáculo de projeto.

A construção da Opera House foi um desafio pra Sidney, envolveu muita gente e muito dinheiro e passou por boas complicações. O arquiteto que venceu o concurso deixou a cidade antes da casa ser concluída, pois se decepcionou com as críticas em relação a demora da construção. Enfim, dez anos mais tarde a casa foi inaugurada pela rainha britânica com o mínimo de alterações do projeto original, e até hoje o arquiteto nunca voltou a Sidney pra ver sua obra prima completa.

Na outra parte do meu dia vocês não imaginam o que aprontei. Fui sim conhecer a Sydney Harbour Bridge, mas nada de museu ou historinhas, eu escalei a ponte! O passeio chama Bridge Climb e a empresa responsável ganha uma nota preta levando grupos de turistas de 10 em 10 minutos pro topo da ponte. São 3h¹/² entre receber todos os equipamentos e instruções de segurança, “conhecer a nova família” e a subida em si. Fui no melhor horário possível do passeio, peguei a cidade iluminada com a luz do dia, o pôr-do-sol (todos na ponte pararam por 5 minutos pra contemplar o momento), as luzes começando a acender e Sidney at night, toda iluminada. Lindo de ver!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sidney dos sonhos

Se existe cidade mais maravilhosa que Sidney ainda não começaram a espalhar. É tudo como nas revistas: prédios modernos, ruas limpas, pessoas alegres, coala, canguru e por aí vai. Tenho certeza de que vou passar muito bem por aqui. O que eles chamam de "espírito da Austrália" realmente é exclusivo!

Meus primeiros passeios em Sidney foram o Sydney Aquarium e o Sydney WildlifeWorld, dois complexos de exibição da vida marinha e da vida selvagem da Austrália. Os ambientes são fascinantes, envolvem o turista na visita. Virei criança. Eu quase saí procurando o Nemo e fugindo dos gafanhotos do "Vida de Inseto". Uma loucura! Abaixo, uma caminhada pelo fundo do mar e uma clássica e tão desejada foto (foto da foto) ao lado de um coala. Essa vai ficar pra história.

Ainda hoje fui ver a cidade em 360° de cima da Sydney Tower, uma torre de observação de 305m de altura, o ponto mais alto daqui. Na primeira foto da página dá pra ver a torre entre os outros edifícios do centro. Além do observatório, está também incluso na visita um passeio virtual pelos principais pontos da cidade. "Sobrevoa-se" Sidney em um cinema 3D sentado em cadeiras móveis, que acompanham o movimento de todo o percurso. Bem divertido!

Amanhã pretendo conhecer a Opera House, o teatro que tem a arquitetura única no planeta. Até, leitores!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Good day Sydney!

Acordei hoje com uma funcionária do hotel batendo na porta do meu quarto. Já tinha passado a hora de fazer check-out e eu ainda dormia nos braços de Morfeu*. Acho que morrí por uma noite e ressucitei. Meu último banho e boa noite de sono tinham sido na sexta-feira, então um chuveiro e uma cama quentinha foram tão potentes quanto anestesia na veia.

Tenho boas notícias. Já estou na casa da querida brasileira que irá me hospedar por uns dias. Fui recebida com arroz, feijão e bife! Parecia que estava tendo uma visão. Uma delícia! Demos uma volta pela cidade e tomamos um café. Amanhã começo o meu roteiro de turista e logo trarei fotos da moderna e encantora Sydney. Já estou amando este lugar. Até breve!

*Na mitologia grega, o deus do sono.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

AUSTRÁLIA

29 de Setembro de 2008. Dia histórico na minha vida. Hoje eu realizei meu maior sonho: cheguei na Austrália! Quem me conhece sabe o quanto ansiosamente planejei este momento. Foram 2h30min de vôo de Madri a Londres e mais 19 horas de Londres a Sydney, com direito a meia hora de pausa no aeroporo de Cingapura.

As 19 horas pareceram 19 dias. Fora ficar de ponta cabeça, em todas as outras posições humanamente possíveis eu fiquei. Pousar em Cingapura e não poder ver a cidade além do vidro foi uma pena. Eu morei lá há mais ou menos dez anos atrás e rever minha segunda casa seria maravilhoso. Quem sabe um outro dia...

Quando o avião aterrizou em Sydney, chorei emoção. Foi difícil não ter ninguém pra dividir um abraço e um estérico "AAAAAHH!! NÃO ACREDIIITOOO!!!" e ter que engolir cada palavra, mas gritei por dentro.

Em Sydney vou ficar hospedada na casa de uma brasileira, mas como hoje nos desencontramos, vou passar a noite em um hotel. Vai ser bom dormir em uma cama outra vez. See ya later, mate!

domingo, 28 de setembro de 2008

Noite a frio e fome

É de manhã e estou ainda no aeroporto de Madri, em poucas horas sai o meu vôo para a Austrália. De ontem para hoje não fiz nenhum passeio cultural, não comí nada estranho e nem conhecí gente interessante, mas passei por uma situaçao que vale a pena registrar.

Eram 9hs da noite de ontem quando, depois de fazer quilômetros pelo aeroporto enquanto esperava a tarde passar, sentei-me em um banco em meio à muvuca e liguei o computador. Postei no blog, respondí e-mails e fiquei de conversa no MSN até tarde da noite. Quando fechei o laptop já era meia-noite e eu era a única alma viva no aeroporto. Horas passaram e não percebí a movimentação ir acabando, só restou um guarda e a esteira rolante funcionando.

Como ainda tinha uma noite toda por alí fui sem pressa atrás de um lanche qualquer para matar a fome. Surpresa, todos os restaurantes estavam fechados. Com razão, pois o aeroporto fecha durante a madrugada, então ninguém 'deveria' estar por alí. Encontrei máquinas de café e chocolate pelo caminho, pensei 'beleza'. Contei minhas moedinhas e eu tinha €0,75 na mão, o que não era nem metade do que precisava para comprar o cafézinho mais barato. Não podia sacar dinheiro, pois as máquinas não aceitavam notas e, como tudo estava fechado, não teria aonde trocar dinheiro.

Andei mais um pouco já com cara de quem queria comer e não podia e avistei uma máquina de pirulitos. Cada custava €0,50! 'Achei minha janta', pensei. Minha alegria durou muito pouco, pois a máquina só aceitava moedas de €0,50 e como a Lei de Murphy existe minhas moedas eram todas de qualquer outro centavo, menos de cinquenta.

Enchí a barriga com água do bebedouro e procurei uma cama. Achei um cantinho atrás de uma fileira de bancos e dormí alí mesmo. O chão estava gelado e o travesseirinho de pescoço chegava a qualquer lugar, menos na cabeça. Foi uma noite do cão, mas passou rápido. Às 6hs da manhã eu já estava brincando de ir para lá e para cá na esteira esperando uma boa alma abrir um café. Mc Donald´s foi o primeiro e salvou a minha barriga. Foi a comida industrializada mais gostosa da minha vida!

sábado, 27 de setembro de 2008

Fim da segunda etapa

Olá! Escrevo do terminal quatro do aeroporto de Madri, na Espanha. Termino hoje a minha viagem pela Europa. Uma data interessante pra encerrar a segunda etapa da trip: dia 27, exatamente três meses depois de deixar o Brasil. Desembarquei aqui às 14 horas e aqui fico até às 8h45 de amanhã, quando pego o vôo para Austrália, com conexão em Londres.

Já nestas primeiras horas de espera apareceu um passatempo pra eu me distrair: a minha passagem foi toda comprada com a companhia aérea British Airways, mas de balcão em balcão descobri que não é ela quem irá me leva até Londres e nem até Sydney, mas sim outras duas: Iberia e Qantas. Foi um rolo de duas horas, três atendentes e três vezes contando a mesma história, mas conseguí fazer check-in pra ambos os vôos. Suspirei de alívio e de dei uma olhada de mãe vendo o filho partir pra minha mochila indo esteira abaixo. Espero que ela chegue comigo desta vez.

Quem quiser acompanhar o round three dessa aventura, não se avexe e apareça por aqui de vez em quando. Um abraço a todos conhecidos ou não que me escreveram neste trimestre mesmo não recebendo resposta e também a todos os amigos que até hoje não mandaram sinal de vida. Orações e dedos cruzados são bem-vindos! Obrigada pela companhia e nos falamos de novo na terra dos cangurus!

Balanço dos dias pela Europa

As últimas semanas fizeram parte do que chamo de segunda etapa da minha viagem. Durante 24 dias passeei pela Europa conhecendo um pouco do continente que guarda muito da história mundial. No total foram 34 horas e 20 minutos viajando de ônibus, trem e avião entre dez cidades em cinco países, sendo cinco delas capitais.

Como mochileira de primeira viagem, gastei as vezes sem precisar e perdí de visitar belos lugares por falta de preparo. Mas, em geral, acho que o saldo foi positivo, fiz meu papel de buscadora de informação. E quanta informação! Acho que se eu pensasse em ir a mais um museu, meu cérebro se fingiria de bobo.

Agora, de todas as paisagens lindas que estive, todos os lugares históricos que conhecí, todas as emoções e delícias gastronômicas que experimentei, sabe o que foi o melhor? As pessoas com quem conversei. Não adianta querer conhecer o mundo só com os olhos, é gentil e inteligente dar ouvido a quem tem algo pra contar. É nas pessoas que estão as boas histórias...

Abaixo algumas opiniões pessoais sobre onde passei:

Os Mais e os Menos da Europa
Cidade que mais gostei - Amsterdã/HOL
Cidade que menos gostei - Berlim/ALE
Cidade mais cara - Paris/PAR
Melhor albergue - Amsterdã/PAR
Pior albergue - Roma/ITA
Cidade mais limpa - Berlim/ALE
Pessoas mais agradáveis - Holandeses
Pessoas mais desagradáveis - Alemães
Melhor transporte público - Barcelona/ESP e Berlim/ALE
Muitos falam inglês - Holanda
Poucos falam inglês - França
Mulheres mais bonitas - Holandesas
Homens mais bonitos - Italianos
Os mais bem vestidos - Italianos
Os mais mal vestidos - Alemães

Pontos Altos
Palau de la Musica Catalana (Barcelona/ESP)
Tourada (Madri/ESP)
Show de Flamenco (Madri/ESP)
Museu do Louvre (Paris/FRA)
Moulin Rouge (Paris/FRA)
Casa de Anne Frank (Amsterdã/HOL)
Berliner Oktoberfest (Berlim/ALE)
Campo de Concentração (Berlim/ALE)
Vaticano (Roma/ITA)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Arte e história em Florença

Firenze, Firenze! Foi na cidade considerada uma das mais lindas do mundo que passei o último dia da minha trip pela Europa. Florença (Firenze em italiano) fica a 278km de Roma e é a capital da região da Toscana. Tem cerca de meio milhão de habitantes, mas hoje, meu amigo, devia ter meio milhão ao cubo de tanto turista. Vou te contar hein, dá só uma olhada:

Ainda em Roma, quase perdí o trem que saía às 8h30, aquele da passagem comprada ontem com a mal-amada (a macumba deve ter sido das brabas). A três minutos da saída, descobrí que estava de olho no painel das chegadas e então cruzei a estação mais rápido que o Jaspion costurando todo mundo até a primeira plataforma. Sentei na minha poltrona e o trem saiu. Um segundo de bobeira a mais e eu ficava.

Bom, em Florença conhecí muito pouco de tudo o que a cidade tem pra oferecer. Estive no Palazzo Vecchio, um edifício civil muito decorado (do piso ao teto, inclusive) construído em 1299 e que já foi sede de figuras importantes de lá; a Piazza della Signoria, com obras de arte expostas à ceu aberto, uma loucura; na Igreja de Santo Spirito de 1444; e na principal atração de Florença e que a faz levar o título de berço mundial do Renascimento: a Galeria dos Uffizi (1h30 de fila), um museu que abriga hoje obras de importantes nomes como Leonardo Da Vinci, Botticelli e Michelangelo. É uma honra ver de perto tanta história.

Palazzio Vecchio
Esta foto foi tirada do Ponte Vecchio, a ponte mais antiga da cidade e que é carregada de lojas de jóias de uma ponta a outra.

Bom, depois de um bom almoço e um sorvetão italiano voltei com vários minutos de antecedência à estação e peguei o trem para o minha última noite na capital italiana.

*Acho que fiquei devendo boas fotos hoje, mas acreditem: Florença é sim uma cidade linda. Talvez porque esta tarde a solidão bateu forte e me deixou meio "borocochô". Enfim, bola pra frente porque atrás vem gente. =]

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Day-off

Ainda tenho mais dois dias na Itália antes de voar pra tão esperada Austrália. “Tô que não me guento!”. Minha intenção hoje era passar o dia em Florença, mas me atrasei e decidi por fazer a viagem bate-volta amanhã e aproveitar o dia pra deixar tudo no jeito pra ir embora no sábado, além de dar uma pausa pro meu joelho que anda reclamando.

Na estação então, comprando a passagem pra amanhã, fui tão mal atendida por uma outra mal-amada que saí de lá bufando de raiva. Então, voltei e enfrentei a fila de novo só pra dizer que ela deveria tratar as pessoas com mais educação, e fui embora. Fez bem pras minhas células.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Eu ví o Papa!

Mais uma surpresa inesperada em Roma: euzinha assisti uma missa do Papa Bento XVI em plena Praça de São Pedro! Dá pra acreditar? Estava eu fazendo o caminho até os Museus do Vaticano, o que era o plano pra esta manhã, e passando em frente à Basílica de São Pedro vejo um auê diferente do que tinha visto no dia que estive por lá. Perguntei a um dos vários guardinhas o porquê daquilo tudo e ele disse, rindo (claro, todo ser que estava lá sabia o motivo) que o Papa iria celebrar uma missa em breve. Devo ter feito cara de besta, lógico, mas por dentro eu fiquei elétrica. Seria mais um momento único e desejado por muitos estar ali.

Então, meio desorientada, entrei por um portãozinho e sentei bem no meio da Praça São Pedro. Fiquei observando a multidão tomar conta do lugar, quando vi o que pareciam ingressos na mão de todo mundo. Sei lá se precisava de permissão pra entrar, de certo se deve reservar com antecedência um lugar. Como eu não sabia e ninguém me barrou, fiquei quietinha esperando o Papa chegar. E lá veio ele no carrinho Papal acenando pra todo mundo. Eu também mandei o meu tchauzinho pro Papa. E mais, quando ele citou o Brasil eu levantei e mandei um assovio caprichado! Meu fi-fi-fi-fiu fez eco no Vaticano. Haha!

Um recado pra minha querida família: papi, mamis, Celo e haury... vocês estavam todos comigo!

Depois de tudo isso, eu não precisava de mais nada pra fazer a viagem a Roma valer a pena. Mesmo assim, não perdi de conhecer a Capela Sistina nos Museus do Vaticano, onde fica o teto pintado por Michelangelo, sua obra mais famosa. Pena que lá não se pode tirar foto, mas se meu comentário for válido eu digo que a pintura é das mais bonitas que já vi. Como é legal ver de perto tantos marcos da história!

À noite fui jantar mais uma massa italiana com vinho na companhia de um amigo de Senegal que fiz no albergue. O cara vem daquelas famílias pobres africanas e, do zero, abriu sua própria empresa e hoje viaja o mundo inteiro fazendo negócio com grandes celebridades políticas e artísticas que a gente só vê pela TV. Parabéns pra ele! É cada história de vida que se ouve conhecendo tanta gente assim, incrível.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Roma Antiga

Devo ter feito quilômetros hoje percorrendo os principais pontos turísticos de Roma. Comecei pelo famoso Coliseu, o anfiteatro que sediava combates mortais entre gladiadores e entre animais selvagens no século 1° d.C. Que jeito mais esquisito de se divertir, eu hein. Eu não tinha noção da imponência da construção e, pra falar a verdade, de que tipo de “apresentação” acontecia lá dentro. Os espetáculos eram oferecidos gratuitamente ao público pelo imperador e por cidadãos ricos. A arena suportava 55 mil expectadores e foi construída em quatro níveis, sendo que os lugares do primeiro eram reservados pros bam-bam-bans da época. A arquitetura e os sistemas de elevadores, jaulas e labirintos descobertos em escavações no século 19 são impressionantes.

Estive também no Palatino, um monte onde a aristocracia romana morava e os imperadores erguiam seus palácios. Lá se vê os “restos mortais” das construções. A impressão que dá ao caminhar entre as ruínas é de entrar num filme desses antigos. Ao lado do Palatino, visitei o Foro Romano, o centro da vida política, comercial e judicial da Roma Antiga, também todo em ruínas. Soa óbvio, mas é interessante pisar em um lugar tão antigo e ainda assim ver como se parecia. Gostei!

Resumindo o restante do dia: estive na escadaria que é cartão-postal de Roma, a Scalinata di Spagna, que liga a Piazza di Spagna à igreja Trinità dei Monti; na Fontana di Trevi, a mais famosa fonte de Roma, cheia de moedas jogadas por turistas bobos atrás de desejos atendidos (eu também joguei a minha); e no Pantheon, “templo de todos os deuses”, a construção antiga mais conservada da cidade. No topo do templo, uma abertura redonda é a única passagem de luz. Quando chove, um sistema de aberturas no piso canaliza a água pra rua. E, coincidência ou não, chovia quando fui, então pude ver como tudo funciona.