sábado, 6 de dezembro de 2008

Fraser Island

Fraser Island foi uma aventura de cinema. Uma galera, um carro, um mapa e uma ilha pra explorar. Foram três dias e duas noites de muito calor e nenhum conforto atrás de belezas naturais escondidas na maior ilha de areia do mundo. Fora comer areia e dormir na areia, também passamos por todo aquele conhecido luxo de quem está acampando: dormir sem tomar banho, fazer cocô no mato e lutar contra monstros voadores ao anoitecer.

(Um parênteses pela cultura: Fraser Island fica localizada na costa de Queensland, possui uma área de 140km de comprimento e 25km de largura e sua paisagem é composta por montanhas, vales, florestas tropicais e lagos de águas cristalinas. Infelizmente o mar de Fraser é habitado por carnívoros tubarões e águas-vivas fatais e cruéis nesta época do ano, o que impede os turistas de caírem na água).

Deixamos a cidade de Hervey Bay de balsa na manhã do dia 4 em uma van 4x4 com nove pessoas, mochilas, barracas, fogão e comida. Antes de sairmos da civilização, enchemos um carrinho de supermercado pra alimentar a tropa pelos três dias. Os dois primeiros dias foram fartos como banquete de rei, mas no 3° o nosso estoque de comida baixou em variedade e acabamos tendo combinações exóticas pra matar a fome, como pepino com pasta de amendoim.

Dirigimos os três dias pela beira da praia. Uma delícia! Eu também peguei o volante e representei as calcinhas do grupo pilotando na areia. Conhecemos os lagos Wabby, Garawongear e Mckenzie, além das Champagne Pools, piscinas naturais na beira da praia que parecem taças de frizante quando a onda bate com força. À noite, lual sem fogueira (é proibido queimar madeira da ilha), céu estrelado, vinho e barulho de mar. No primeiro dia deixamos as barracas pras moscas e deitamos nos sacos de dormir na beira da praia. Mais frio que cidade gaúcha no inverno, mas especial!

Na tarde do dia 6 pegamos a balsa de volta pra cidade loucos por um chuveiro e uma cama, mas cheios de história e lembrança. Com vocês, o espírito de Fraser:

Navio Maheno, naufragado na ilha
Lago Wabby
Lago Garawongear Lago Mckenzie

Champagne Pools

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Noosa

Três dias maravilhosos! Noosa foi a minha parada favorita até agora. Tanto a cidade quanto a natureza do lugar me conquistaram. A cidadezinha é um destino pros mais afortunados, é mais cara, mas é mais organizada, elitizada. Me lembrou Búzios, no Rio de Janeiro. Celebridades australianas são vistas tirando férias por aqui. A rua principal é contornada por lojas prontas pra atacar o bolso dos turistas e por cafés e restaurantes bem bacanas.

Fiquei em um albergue muito bom, com amigos que tenho feito pelo caminho e em dias lindos e quentes. Isso tudo também ajudou fazer de Noosa uma parada especial.

Na tarde em que cheguei, fui com três de meus novos companheiros explorar o Noosa National Park. A alemã, a inglesa, o francês e eu caminhamos por três horas pelas trilhas do parque que beiravam a praia. Paisagens de cartão postal...

A empolgação com o lugar foi tanta que combinamos de assistir o nascer do sol na manhã seguinte. Às 4h do outro dia estávamos zumbizando de pé. Quando chegamos ao ponto às 5h o sol já tinha levantado, mas mesmo assim valeu super a pena. Foi energizante. Nunca vou me esquecer.

Neste mesmo segundo dia fui ao Australia Zoo, o zoológico do Steve Irwin, o maluco do Crocodilo Dundee. Dei cenoura pra elefante, tirei foto com jacaré, vi o show dos crocodilos, fiz cafuné nos coalas e fiquei no meio dos cangurus. Coisas que não se faz todo dia.

O terceiro e último dia em Noosa não foi longo. Às 10h da manhã fizemos check-out do albergue e em menos de 2h já estávamos na estrada outra vez.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Brisbane

Passei por Brisbane mais rápido que coceira de coelho. Cheguei no fim da tarde de domingo e fui embora às 6h30 da manhã de segunda-feira. Brisbane é uma cidade boa de morar, imagino, mas não pra quem está atrás de férias. É a 3° maior cidade da Austrália, depois de Sidney e de Melbourne, e não fica no litoral. Foi uma pena não ver a cidade durante o dia, mas não me arrependo de ter ficado só uma noite. Meus dias pela costa são contados e preciosos. Só tive tempo de tomar um banho e me socializar com outros backpackers no bar do albergue.

A melhor parte de Brisbane, porém foi na manhã seguinte, quando me perdí na cidade. Como meu albergue era longe do ponto de saída do ônibus, tive que pegar um trem até a estação mais próxima. O erro começou quando peguei a saída errada da estação e piorou quando continuei a caminhar pro sentido contrário. Faltavam 15 minutos pro ônibus partir e eu estava sozinha, carregada de bagagem, num lugar desconhecido, às 6h15 da manhã e totalmente sem idéia pra onde ir. Foram os minutos de maior adrenalina de Brisbane. A solução veio rápido, consegui contactar a motorista da excursão e ela me deu uma luz. Logo me achei no mapa e às 6h30 da manhã embarquei pro próximo destino.

domingo, 30 de novembro de 2008

Surfers Paradise

Cheguei no lugar que mais sonhei estar nos últimos anos, Surfers Paradise. O paraíso dos surfistas, porém não tem nada de tranquilo como sempre imaginei. Surfers é uma cidade grande, movimentada, cheia de arranha céus. Só pra dar um exemplo, aqui fica o Q1, o prédio residencial mais alto do mundo, com 78 andares.

Já era fim do dia quando o ônibus despachou uma turma de 40 viajantes e suas pesadas mochilas na estação. Apesar de quente, o tempo não era dos mais receptivos, nuvens cinzas cobriam o céu de Surfers. Eu fui a única a ficar no albergue Surf n Sun. Nota vermelha pra ele, longe, quarto pequeno e banheiro menor ainda, sem entrar nos detalhes de higiene. Tomei meu banho e saí pra rua atrás de uma boa comida e uma caminhada de reconhecimento do território. Tive um jantar de rainha no Hard Rock Café, com entrada, prato principal e sobremesa que levantou meu ânimo. Uma boa boquinha sempre faz bem! Voltei pro meu albergue-cocô e, cansada, fui pra cama antes que as galinhas.

Depois de dez horas de sono, acordei no nublado céu de sábado e programei minha atividade do dia. Com aquele tempo não quis me frustrar indo pra praia, então comprei meu passaporte da alegria: uma entrada pra um dos vários parques de diversão de Surfers Paradise. Escolhi o parque aquático Wet n Wild, onde fiz amizade com três guris da Arábia Saudita. Antes de encontrar meus futuros amigos árabes, tentei me divertir nos brinquedos na minha solitária companhia, mas vou contar que dessa vez foi meio difícil e ridículo estar sozinha. Além da amizade, que rendeu em uma saída na noite de Surfers, ganhei um apelido dos meninos: Alimama, a versão feminina de Alibaba, aquele que está sempre viajando...

Ainda no segundo dia me dei um segundo agrado: uma massagem nos pés numa clínica chinesa de reflexologia. Além de estarem a mais de cinco meses sem ver uma pedicure, ou seja, apresentarem similaridades com uma lixa de construção, meus pés meus queridos pés que me aguentam o dia inteiro têm dado sinais críticos de cansaço, as vezes sinto uns choquinhos nada familiares. Super estranho.

Felizmente meu 3° e último dia em Surfers foi de céu de brigadeiro. Fiz check-out do albergue às 10 horas da manhã pra nunca mais voltar. Cruzes. Fui correndo pra praia e foi aí que senti melhor a vibe de Surfers. Deu vontade de ficar bem mais... “Eu tava de chapéu de palha, na praia, tomando um sol...”.



Próxima parada, Brisbane.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Byron Bay

Nos últimos três dias estive mais perto do Brasil que em nenhum outro momento da viagem. Minha segunda parada: Byron Bay, o ponto no extremo leste da Austrália. Cheguei em Byron na tarde de terça-feira e aqui passei dias de chuva e uma tarde de sol, adaptando o roteiro de praia e céu azul pra atividades mais preguiçosas, conforme o humor de São Pedro mandava.

Byron Bay é um balneário moderno, praieiro e no momento cheio de gente carregando prancha e mochila pelas ruas. Os albergues estão lotados de viajantes do mundo todo, foi difícil conseguir uma cama pra dormir. Já fiz algumas amizades por aqui e ao que tudo indica ainda devo esbarrar com um tanto deles no caminho pela costa. A inglesa que conheci no Opera House em Sidney também esteve aqui e nos encontramos pra tomar um chá das cinco e botar o papo em dia.

Uma das minhas soluções pro primeiro dia chuva intensa foi ir ao cinema assistir a estréia do filme Austrália. A história romantica estrelada pela elegantérrima Nicole Kidman e pelo gatão Hugh Jackman se passa durante a Segunda Guerra mundial num bonito cenario natural australiano. O filme ainda mostra o lado místico da cultura aborigene no país.

Ontem, dia 27, fiz um passeio famoso em uma cidade polêmica da Austrália, Nimbin. Nimbim é um vilarejo hippie, totalmente diferente de tudo o que eu já vi. É conhecida como a capital da maconha do país e, pelo o que entendi, eles têm um acordo com a polícia que segue mais ou menos assim: a droga pode ser “clandestinamente” comercializada e a polícia não presta serviços pra comunidade. Que coisa! E o business rola nas ruas mesmo, moradores oferecem o produto como se estivessem vendendo churros. Agora, os mais procurados são os bolos ou biscoitos das velhinhas de Nimbin, que não têm nada a ver com bolinhos de vovó.

Hoje, dia 28, finalmente consegui lagartear por uma hora na pra praia de Byron Bay. A previsão do tempo se enganou tremendamente e ao invés de trovoadas a sexta-feira amanheceu como a Juju gosta. Preparei o alarme pras 4h30 da manhã na fé de conseguir assistir o nascer do sol do farol de Byron Bay. Depois de uma hora de caminhada quase no escuro, eu estava lá vendo os primeiros raios de sol do dia chegarem na Austrália.

Em meia hora pego o ônibus pra terceira parada da viagem, Surfers Paradise. Good Vibes!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Surf Camp

A viagem pela costa começou. Às 6h30 da manhã de segunda-feira deixei Sidney sentido norte do país em um ônibus com outros seis jovens viajantes e um casal de motoristas malucos e tagarelas. Se não fosse pela falação dos dois, as mais de dez horas de estrada até o destino demorariam muito mais pra passar. Eles deram uma aula e tanto da Austrália e principalmente de tudo o que nos espera pela costa. Eu fiquei mais faceira que mosca em tampa de xarope.

Às 17h30 chegamos ao SpotX, o acampamento de surfe onde iríamos passar a noite e tentar a sorte nas ondas na manhã seguinte. O acampamento era uma comunidade organizada de aulas pra quem-sabe-um-dia futuros surfistas. A noite rolou fogueira, bebida e violão como acontece em filme. Nós do ônibus fomos as ovelhas negras da comunidade e não entramos na festa por toda a noite, fomos cedo pra cama com todo o cansaço e sono de um dia de viagem. Se me arrependi? Claro, mas por favor nunca mais me lembre disso. Ir deitar, porém não foi de todo o mal assim. O céu estrelado que eu via da cama e o barulho do mar foram especiais naquela noite.

Às 6 horas da manhã do dia seguinte lá estávamos nós de pé pra tal aula. O professor era um surfista de desenho animado, loiro, de dreads e com aquela ginga devagar. A aula foi um sucesso! As fotos não mentem, olha eu surfando aí gente! Achei meu mais novo hobbie. Ju, a surfistinha do Pantanal.

domingo, 23 de novembro de 2008

Dia 150

Hoje é o dia número 150 da minha viagem. Nestes quase cinco meses fora do Brasil já devo ter estado em 150 lugares diferentes, ter conhecido 150 pessoas diferentes e ter vivenciado pelo menos 150 emoções completamente diferentes. Apesar de estar fisicamente cansada dessa vida de nômade, com certeza ainda tenho motivo de sobra pra continuar a caminhada.

Amanhã, 24 de novembro, começo mais uma fase da minha mochilada. Dentro de exatamente um mês vou viajar pela costa leste da Austrália e passar alguns dias no outback, o deserto australiano. Não prometo postagens diárias, mas prometo relatos sinceros e detalhados de cada presepada naquela conhecida freqüência, conforme a internet dos outros permitir.

Minha primeira parada será em um acampamento de surfe. Dizem as boas línguas que até aula de surfe vou ter. Essa e outras conto na minha próxima aparição. Aquele abraço!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Soltas e boas de Sidney

Não me sinto mais a única criatura de férias em Sidney. As ruas estão lotadas de turistas com pochete tomando sorvete. Na época em que cheguei aqui, final de setembro/início de outubro, eu dividia as calçadas do centro com pessoas apressadas geralmente em preto indo e vindo dos seus respectivos escritórios de trabalho. Sidney pra mim sempre esteve com o astral lá no alto, mas por estes dias a cidade vem ficando muito mais colorida.
Novembro na Austrália (e em alguns outros países) é o mês do "Movember", um evento anual de caridade no mínimo curioso. A palavra "Movember" é a mistura das palavras moustache e november em inglês, que traduzidas significam bigode e novembro. Durante todo o mês, homens voluntários deixam seu bigode crescer a fim de arrecadar dinheiro em benefício de instituições que cuidam da saúde masculina, principalmente de câncer de próstata e depressão. O incentivo pra deixar o bigodinho de pasteleiro crescer vem da doação dos amigos. Tenho visto cada um por aqui...
Este sábado acontece em Sidney a versão 2008 da The White Party, A Festa do Branco. Dizem que a festa é badaladíssima! Meu convite e meu traje "a la mãe de santo" estão garantidos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Opera House em ação

Nesta segunda-feira que passou fui assistir a um espetáculo no Opera House, não podia ir embora daqui sem antes ser platéia por um dia na casa de apresentações mais famosa do planeta. Como ex-bailarina e eterna amante da dança, escolhí um espetáculo de ballet moderno pra marcar este meu passeio. O grupo do Ballet da Austrália (não de Sidney, como tinha antes comentado) mostrou técnica de excelência e bom muito gosto pras coreografias e pro cenário, que era simples mas de forte efeito de palco. Das poltronas se enchergava a orquestra tocando num nível abaixo dos bailarinos.

O público em geral foi vestido pra festa, ví até brilhos e longos. Eu fui no meu traje "eventos sociais nível elitizado", que é composto de calça jeans e uma blusa transpassada de gola que sempre me salva em ocasiões deste estilo. Preciso ainda comentar da "bala minimizadora de tosse" disponível na entrada do teatro pra evitar qualquer perturbação durante o show. O nome da bala era este mesmo, traduzido ao pé da letra. O que mais ainda têm pra inventar?!

Uma situação inesperada da noite foi conhecer duas outras viajantes solitárias que sentaram do meu lado na apresentação e ir parar num bar em plena segunda-feira. Isso é uma vantagem de viajar sozinho, você vai estar sempre esperando alguem pra trocar uma conversa e quando este alguem surge eis que dalí pode começar uma nova amizade. Uma delas, a inglesa, vai estar na mesma cidade que eu daqui alguns dias quando eu seguir viagem. Quem sabe a gente se esbarre novamente por aí.

Antes de me despedir, deixo um beijo especial pro meu afilhadinho JP que hoje completa 2 meses de vida! A dinda tá maluca pra te conhecer! Amanhã volto com mais novidades.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Patos e gansos

Salve Salve Brasil! Quanta saudade! Já completo quase cinco meses longe da terrinha, longe do meu quarto doce quarto, do chamego da mãe, do arroz com feijão, das conversas com aquela amiga e incrivelmente até de trabalhar. Tudo o que eu tenho visto e tenho feito é muito bonito e muito bom, mas quando a falta de casa aperta meu amigo, não tem Paris que dê jeito.

Falo de Paris porque quando estive lá, mesmo em dias dignos de madame, a solidão me pegou com força e tive uma das minhas poucas crises de choro desde que saí do Brasil. Conto em uma mão as vezes que não tive outra idéia além de abrir o berreiro. Foram choros curtos mas intensos, daqueles que se toma ar rápido duas vezes no intervalo de cada cinco segundos.

Conto isso hoje não porque estou passando por "um dos meus ataques de saudade", inclusive estou em um momento de total empolgação (já comento sobre isso), mas porque o sábado aqui amanheceu nublado e chuvoso, um clima que me induziu à nostalgia.

Agora mudando o assunto de pato pra ganso pra explicar essa empolgação, estou há pouco mais de uma semana de embarcar pra parte mais esperada da minha viagem. O mochilão vai de volta pras costas e eu de volta pra estrada. Aí vai ser acampamento, deserto, trilha, praia, surfe e tudo isso no que eu espero ensolarado verão australiano. Que a aventura venha temperada de emoção, diversão, poeira, perrengue e muita, muita boa história pra contar. Até breve!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Perambulando

Antes de qualquer historinha que eu possa contar nessa postagem, informo aos interessados no meu bom humor que Sidney tem sido abençoada com um lindo céu azul durante toda a semana. Fiquei tão empolgada que comprei até um chapéu de palha! Coitada, tá achando que tá na beira da praia ou indo pular carnaval em Bonito... Enfim, minha moda à parte, andei hoje pela cidade numa pinta de turista nota dez: mochila nas costas, dedão do pé de fora, óculos de sol, minha última aquisição, é claro, o chapéu de palha e a máquina fotográfica pendurada no pescoço.

No caminho de casa para o centro fiz umas fotos da minha área predileta de Sidney, Darling Harbour, e mais tarde de Circular Quay, outra região turisticamente tudo-de-bom da cidade, onde fica o Opera House e de onde se tem uma bela vista da Harbour Bridge. Garantí um ingresso pra assistir ao Ballet de Sidney no teatro na segunda-feira e, na volta pra casa, parei pra fazer aquele lanchinho em um café em um ponto previlegiadíssimo de Darling Harbour. Como um ambiente legal dá muito mais graça ao sabor de uma comida! Eu defendo essa tese com unhas e dentes, e garfos, e facas...

Darling Harbour


Circular Quay

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A verdadeira cidade maravilhosa

Já estou há mais de 40 dias na Austrália e ainda não tirei os pés das redondezas de Sidney. Meu tempo por aqui já expirou em quatro semanas do que tinha planejado, que era de no máximo 15 dias. A good vibe de Sidney me pegou igual criança pega piolho, fácil fácil. Sem querer, mas já puxando a brasa pra minha sardinha preferida, Sidney é a melhor cidade do mundo! É moderna, limpa, colorida, alto-astral, agitada e ao mesmo tempo cercada de vida natural, tudo funciona, as pessoas são bonitas e geralmente esbanjam simpatia.

Uma outra característica de Sidney que salta aos olhos e grita aos ouvidos de quem chega é a diversidade cultural da população. Nas ruas se vê e se ouve japonês, árabe, português, coreano, francês, espanhol e sabe lá Deus que outras caras e idiomas também. Este mix de culturas também está na infinidade de restaurantes de cozinha específica, na moda (as japonesas ganham no quesito combinações nada-a-ver) e nos poucos porém distintos templos espirituais. Um hábito, porém, que percebí ser de todos é o cuidado com a saúde e a boa forma. Não importa lugar, clima ou dia da semana, em Sidney sempre vai ter gente suando a camisa.

Mas como tudo, até Sidney, esconde um porém, morar aqui tem o seu preço. E que preço. Não tenho muita informação quanto à isso, mas acredito que geralmente se ganha rasoavelmente bem, mas se investe o mesmo tanto pela boa vida. Aqui Mastercard paga.

Bom, querendo ou não já tenho data pra deixar Sidney. Lamento ir embora, mas a vontade de dar início à verdadeira mochilada pela Austrália é bem maior. Em duas semanas devo partir em uma viagem de ônibus rumo ao norte do país, que vai percorrer as praias da costa leste até chegar na região da Grande Barreira de Corais. Muita história ainda vem por aí!

*Um grande abraço aos "curiosos de plantão" que me acompanham sem mesmo me conhecer pessoalmente. Obrigada pelos e-mails e pela força!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Bate-volta em Blue Mountains

A 100 km a oeste de Sidney fica Blue Mountains, um paraíso natural localizado no norte do estado de Nova Gales do Sul. Blue Mountains é uma região que foi construída durante mais de 250 milhões de anos a partir do acúmulo de sedimentos e posterior erosão. Em vocabulário julianiano, é uma área montanhosa, silenciosa e realmente azul, cheia de energia e cheiro de mato que revitaliza a alma.

Embarquei hoje em uma excursão com mais 11 turistas e um guia cabeludo e descabelado pra fazer o popular passeio. Com o voucher na mão, máquina fotográfica, casaco e banana na mochila, o ônibus já com os 12 me pegou às 8h30 da manhã nas redondezas de casa. Chegamos ao destino em 1h30 de estrada, sendo a primeira hora gasta só pra sair da grande Sidney.

Logo na chegada, Perucão, o guia, nos levou para um encontro com um grupo de cangurus soltos no campo feito gazelas saltitantes. De lá, seguimos até o topo de uma das montanhas pra contemplar o horizonte azul que se forma entre a mata. A névoa azulada é provocada pela liberação de óleo das folhas de eucalipto, a árvore predominante na região. Dizem que quanto mais nublado e úmido o dia for, mais azuis ficam as montanhas. Deve ser meio psicodélico de ver... O ponto mais alto das Blue Mountains atinge 1.100 metros acima do nível do mar.

Seguindo o roteiro, paramos para almoço em Katoomba, uma das cidadezinhas mais movimentadas da região. Eu, que não sou burra nem nada, já tinha garantido meu sanduba no início do passeio sem precisar pagar horrores por um pão recheado, como é comum acontecer em qualquer buraco aonde tenha turista com fome.

Saboreei o meu pãozão de frango com abacate sentada de frente pras montanhas, ao som do instrumento musical aborígene digiredoo, que era tocado por um nativo logo atrás de mim. Falando neles, os aborígenes habitam a região de Blue Mountains há cerca de 14 mil anos. A antiga aparição da tribo na terra é marcante nas feições primitivas que eles ainda têm.

Esta formação rochosa na foto abaixo é o principal símbolo comercial e cultural de Blue Mountains, são as Three Sisters (As Três Irmãs). Diz a lenda aborígene que três irmãs foram transformadas em rochas pelo pai curandeiro a fim de protegê-las de um monstro do pântano. O pai, por sua vez, ao também buscar outra forma de livrar-se da fera, perdeu seu instrumento de magia e até hoje continua a procurá-lo pela floresta com a esperança de trazer suas filhas de volta à vida.

A última parte da excursão (e do texto também, prometo) foi uma trilha por dentro da floresta que antes avistamos de cima. Fizemos a rota leve por conta de tempo. Há a opção da trilha estendida que passa pelas Três Irmãs. Descemos por uma longa escadaria e voltamos ao topo da montanha por uma das três opções de transporte disponíveis, uma espécie de trem que percorre o trilho mais íngreme do mundo. O trenzinho anda quase na vertical!

Por fim, encerramos o tour passando pelo Parque Olímpico de Sidney, sede das olimpíadas mundiais de 2000. Mas deixamos este assunto pra um outro dia. Até o próximo passeio!